
Este aí em cima com cara de otário, por acaso, sou eu. Era pra sair com cara de James Dean,
mas não deu. Digo que sonho em ser astronauta, mas, na verdade, quero apenas ser um singelo
jornalista que combate o crime à noite.
Quanto ao blog, ele existe desde o malfadado dia de 19 de dezembro de 2003, quando eu não tinha
nada melhor para fazer e sob pressões externas o criei. Agora, quatro anos depois, ele saiu do meu controle
e ganhou vida própria, por isso me isento de quaisquer responsabilidades, processos ou garotas grávidas que,
porventura, possam vir a reclamar seus direitos.
corra, porco, corra!
| [::..interessante..::] |
| :: Zona Punk [>] |
| :: Ao Mirante, Nelson [>] |
| :: Pensar enlouquece [>] |
| :: André Forastieri[>] |
| :: Sexpedia [>] |
| :: Faz caber [>] |
| :: Esquizoativo - Potumati[>] |
| :: Blog do Nelito[>] |
| :: Os Armênios[>] |
| :: Delinquente[>] |
| :: Motor Cultural [>] |
| :: Lixomania [>] |
| :: Leis de Murphy [>] |
| :: Priti [>] |
|
| [::..velharia..::] |
|
| Se você é um extraterrestre e quer fazer contato,
em vez de esperar uma onda eletromagnética clique aqui
e me deixe um recado.
|
|
:: Segunda-feira, Maio 10, 2010 ::
Nem lembrava direito a senha desta bela joça.
Só to aqui pra dizer que mudei de blog!
É uma singela satisfação que devo aos meus dois fãs.
www.oblogdosinsultos.blogspot.com
:: Nathan Fernandes Segunda-feira, Maio 10, 2010 [+] ::
...
:: Segunda-feira, Maio 18, 2009 ::
AMETAMORFOSE
Quando certa manhã Dante acordou de sonhos intranqüilos, não encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Ainda que fosse isso. Mas Dante estava completamente atado por grossas cordas imaginárias que o apartavam contra o colchão, sem deixa-lo se mexer. Ele não conseguia falar, e não dobrava nem o dedão do pé. Apenas podia pensar e virar os olhos. E era tudo que fazia. Já vira isso em um filme, mas era diferente.
Algumas horas se passaram. O telefone tocou. Podia ser da empresa em que trabalhava, deviam querer saber porque se atrasava. Ou podia ser alguém do telemarketing vendendo coisas que ele não queria comprar. E tocou até cair a linha, depois não ligaram mais. Com certeza, o telemarketing seria mais insistente que isso.
Dante pensava. E se nunca mais se mexesse... E se ninguém percebesse sua falta e ele mofasse ali até apodrecer... Era possível. Ele não tinha mais amigos. Ele não tinha mulher, nem família. Trabalhava tanto nos últimos tempos que não saía mais. Perdera o contato com todos. Só falava com o Seu Castor, apelido carinhoso de seu chefe, mas não podia chamá-lo de amigo.
Ele tentava se levantar, mas pra quê? Pra ir ao escritório e mergulhar na burocracia dos dias até ficar velho e receber uma aposentadoria? Não, obrigado. Dante percebeu que não fazia diferença ficar na cama, ou levantar. Tudo seria igual. Porque todo dia, ele já levantava morto mesmo.
Dante viu o inferno em sua cabeça. Fechou os olhos e voltou a dormir. Boa Noite!
nos embalos de: "apesar de você" - Chico Buarque
para quem... pensa que amanhã vai ser outro dia
:: Nathan Fernandes Segunda-feira, Maio 18, 2009 [+] ::
...
:: Terça-feira, Fevereiro 24, 2009 ::
DIÁLOGOS (QUASE) LOUCOS DE UM ASCENSORISTA SURDO - IV
Tiiin
- Desculpe, aqui só entra mulher.
Tiiin
nos embalos de: "drove all night" - Roy Orbinson
para quem... está por aí, sai por aí.
:: Nathan Fernandes Terça-feira, Fevereiro 24, 2009 [+] ::
...
:: Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009 ::
BOLA AOS BÊBADOS
Devia faltar umas quinze páginas pra eu terminar de ler o Bukowski que estava dentro da minha mochila, enquanto eu estava no ônibus voltando da faculdade. Mas não seria naquela noite que eu terminaria de lê-lo.
Voltando no ônibus com meu amigo que trabalha comigo, estuda comigo e volta comigo até metade de caminho, nós falávamos dos dois bêbados que estavam causando no transporte. "Acho que não tem problema nenhum encher a cara, mas causar no busão meia noite é foda!" E eles berravam e dançavam e pulavam e cantavam e isso aumentava nossa ira.
Eu admiro o estado de embriaguez lúcida. Aquela em que o bêbado se torna filósofo e põe pra fora todos os desencantamentos de sua alma. Mas aqueles nem de longe se pareciam com isso.
Meu amigo então desceu e eu pude me preparar para começar a terminar de ler meu livro. Mas eu não podia imaginar que um dos bêbados sentaria no banco vazio ao meu lado. Quando então ele começa a berrar e apontar pra mim fazendo com que eu me fizesse a pergunta mais usada: "tô cagado?". Mas antes que eu fizesse, ele disse "vocêêê lêêê Bukowskiii ahhh!!!!" e começou a querer apertar minha mão e me abraçar "ninguééém lê essa porra!!!". Mas eu leio e, pelo visto, ele também.
E do nada engatamos um papo sobre literatura que do velho safado saltou para Rimbaud, Kafka e Dostoiévski. Não que eu seja grande conhecedor, mas o cara pelo visto era. Quando vi estavamos trocando telefone e ele dizendo que ia me ligar pra fazer um ensaio com a banda dele. O cara e seu amigo estavam bêbados, tudo bem, mas gostava de coisas incríveis. O que mais eu poderia fazer?
Interessante ressaltar que eu estava com uma camiseta dos Ramones. Mas nossa aproximação foi literária e não musical. E ele começou a falar de destino e disse que tinha falado justamente sobre isso com o amigo de manhã. E que precisava justamente de um baixista e que iria me chamar para os encontros beats na Paulista e bla blá blá. Claro que só ele falava e eu escutava. Mas anda assim considero um diálogo. Depois ele começou a cantar whith a little help from my friends e eu percebi que já era hora de descer.
Por fim, descobri que garotas lindas e semi-nuas não fazem isso comigo. E também descobri que o cara era um desses bêbados filósofos. Como um outro que não tem nada a ver com a história, mas eu encontrei num bar certa vez e disse uma das coisas mais bonitas que eu jamais ouvi: "eu sou um cara errado na minha vida". Talvez isso sirva pra todos.
nos embalos de: "poka hontas" - Thee Headcoats
pra quem... é amolado por alcóolatras anônimos nas ruas
:: Nathan Fernandes Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009 [+] ::
...
:: Sábado, Janeiro 31, 2009 ::
PORCOS IMPIEDOSOS TAMBÉM NÃO AMAM
Por Funkeira Niilista
Tinha o corpo todo tatuado. Os braços, as pernas e até a cabeça careca. Parecia fazer parte da arte urbana da cidade. Mas não... só estava fazendo cupper. E cometeu o maior de todos os crimes. Passou na frente de um ônibus lotado, atraindo a atenção das pessoas suadas que voltavam pra casa do trabalho e queriam assistir novela.
"Meu Deus!", bufou a mulher que parecia ter visto o próprio demônio de tanga na praia, "mas que absurdo!". Certamente, por ela, a polícia poderia prendê-lo sob acusação de atentado ao pudor, como se sua blusa roxa da Marisa fizesse algum sentido. Ela parecia seriamente ofendida com as tatuagens do moço.
"Olha lá, o cara se achando", disse outro infeliz. Mas alguém que usa uma camiseta de botão florida aberta até o umbigo dentro de um ônibus não deve saber o que significa "se achar".
"Tem que ter coraaage!", berrou mais uma tiazinha em tom de repreensão. Mas mesmo assim, talvez a mais sábia que estava por lá. Porque realmente tem que ter coragem pra fazer aquilo. Tem que ter coragem pra não ser só mais um maldito filho da puta que levanta cedo e volta pra casa num ônibus lotado todo dia, brigando pra deixar a janela aberta naquele calor dos infernos. Tem que ter coragem pra simplesmente ignorar o que a unanimidade burra diz, faz e insunua. E tem que ter muita coragem pra aguentar um monte de merda de gente que não sabe muita coisa e acha que vida normal é a que ela leva.
"Que Deus tenha piedade de vocês, seus porcos!"
nos embalos de: "i got soul but i'm not a soldier" - The Killers
para quem... tá na pista pra negócio
:: Nathan Fernandes Sábado, Janeiro 31, 2009 [+] ::
...
:: Segunda-feira, Janeiro 26, 2009 ::
DEUS ME SALVE DO SENHOR
Eu estava no metrô, com Hunter Thompson no colo. Porque Medo e Delírio em Las Vegas é um livro mais bacana do que eu imaginava. Melhor do que qualquer outro dele, suponho. Hunter descrevia, então, sua insana viagem lisérgica, quando levanto a cabeça e me deparo com uma mulher a meio palmo do meu nariz. "Você conhece Deus?" Minha nossa, de onde saiu essa doida?
Ela vinha me perguntar de Deus, bem na hora em que eu estava com o livro aberto na página do capítulo chamado "Nenhuma compaixão pelo Diabo". Mas o que ela queria, afinal. Seria ela era da Polícia Federal querendo saber se eu conhecia um traficante chamado Deus? É possível. Mas ela foi bem mais educada do que um agente. E eu tenho essa terrível mania de não conseguir ser grosso com que é gentil comigo. Tanto que um dia fiquei ouvindo um hare krishna falar por duas horas, só porque ele era bem educado e eu não conseguia dizer que eu precisava sair fora.
Mas, enfim. Ela estava lá com a cara na minha frente querendo saber se eu conhecia Deus ou não. Depois começou a puxar assunto sobre os livros do Khaled Husseini e eu disse que só tinha lido O Caçador de Pipas. Mas ela não se contentava e queria ficar falando e falando e me chamando pro culto. O culto ficava numa rua chamada Tapaxana (?). Ta-pa-xa-na. E eu pensei comigo, será mesmo que é um culto de Deus. Vai saber..
E ela ficava lá e não me largava. O pior é que não é a primeira vez que isso acontece. Eu não porque as pessoas vêm querer me converter. A menos que eu tenha cara de anti-cristo, bebedor de sangue.
E as pessoas reclaman das testemunhas de Jeová que levantam cedo e ficam tocando as campainhas dos outros. Mas, por Deus, minha bisavó é testemunha de Jeová. E eu morei com ela por cinco anos no mesmo quintal. Imaginem, cinco anos.
Eu não acho ruim as pessoas terem as religiões delas. Até acho que religião é uma coisa suérnecessária na sociedade. E longe de mim ser adorador de satã. Acho mais triste não acreditar em nada do que ser ignorante. Mas pera lá, cada um na sua.
Por fim, ela me deu um cartão e me ameaçou se eu não aparecesse lá no culto de quinta-feira. Tô lá já. O cartão virou um belo marca páginas nas folhas hereges do Hunter Thompson.
nos embalos de: "hurt" - Jonny Cash
para quem... quer ficar um ano deprimido
:: Nathan Fernandes Segunda-feira, Janeiro 26, 2009 [+] ::
...
:: Sexta-feira, Janeiro 23, 2009 ::
VIDA PELADA
Por Funkeira Niilista
O despertador não tocou, acordou sozinho. Desespero! Certamente já está atrasado para alguma coisa. Levanta da cama num pulo e bate o dedão na quina e pragueja e corre para o banheiro e escova os dentes e não vai dar tempo de tomar banho - café então - escolhe a roupa, a que você queria está lavando, vai essa mesmo e sai de casa às pressas e lembra... hoje é dia folga! Hoje é dia de folga!
Um alívio percorre o corpo, do dedão do pé à gengiva. Sensação melhor impossível. A cama será minha novamente. Já se imagina rolando no lençol, levantando duas horas da tarde porque não tem mais nada para fazer. Volta flutuando lentamente com um sorriso no rosto. Toda a correria foi em vão, não serviu pra nada. Ainda bem... pelo menos tem o dia livre.
Mas e se não lembrasse da folga? Chagaria onde tem que chegar e só perceberia lá, vendo que fez papel de imbecil o percurso inteiro.
...
Faz faculdade e trabalha que nem um zumbi e perde horas no trânsito e contas pra pagar e fila de banco e acotovelamento no metrô e eu quero aquela roupa e se eu não me comportar eu vou pro inferno e noites de sono preocupado & dinheiro descabido. Leva assim a vida. Uma vida pelada.
Depois descobre que a correria foi toda em vão. E se hoje for um dia de folga? Ele tira o alívio do bolso.
nos embalos de: "fever" - The Cramps
para quem.. está ardendo em febre
:: Nathan Fernandes Sexta-feira, Janeiro 23, 2009 [+] ::
...
:: Quarta-feira, Janeiro 21, 2009 ::
PAULISTA ÀS SEIS
Às seis horas da manhã, a avenida paulista abriga seres diferentes. Os que vivem de dia e os que vivem à noite. Mas às seis eles se encontram. Basta notar a imensa escada rolante da estação consolação. Escadaria para o paraíso pra alguns e para o inferno pra outros. A maioria está subindo, enquanto uma horda tímida está descendo trôpega e despertanto atenção. Os que trabalham sobem, os que se divertem descem. E, claro, eu sou dos que sobem.
Às seis horas da manhã, a vida parece ser reduzida a pó. Cambaleando pelo metrô, eu olho o relógio e já estou atrasado... às seis horas. Encaro a multidão sem dentes, que empaca no caminho, e fico preso por eternos trinta e cinco segundos. Entre uma mochila aberta e uma cabeça vazia.
Basta olhar para os lados para ver os bêbados que descem escorados em amigos semi-sóbrios. Teriam aproveitado bem a noite? O estado de lucidez já responde. Porque na chuva, no frio ou em qualquer circunstância, a Augusta está lá para acolher todos os vagabundos iluminados e degradados da noite.
"Tem uma moedinha pra comprar um vinho, amigo?" Eu não tinha. Mas, se pudesse, até ajudaria o velho punk. "Pede para aqueles caras fumando ali ó..." Beber vinho às seis da manha pode parecer muito estranho se você está entrando no trabalho. Mas não se você está saindo da balada. O vinho é uma questão de referência.
nos embalos de: "velha roupa colorida" - Elis Regina
para quem... avisa amigo é
:: Nathan Fernandes Quarta-feira, Janeiro 21, 2009 [+] ::
...
:: Domingo, Janeiro 18, 2009 ::
NO ALVO DO DALVO - XIII
Estava meu primo de doze anos feliz porque recebeu uma das primeiras correspondências de sua vida. Eis que meu avô surge:
- Fui eu que peguei isso aí. Quase eu joguei fora. Pra que você ia querer isso?
É... meu avô sempre dando credibilidade a crianças.
nos embalos de: "highway 61 revisited" - Bob Dylan
para quem... vai com fé, irmão
:: Nathan Fernandes Domingo, Janeiro 18, 2009 [+] ::
...
:: Quinta-feira, Janeiro 15, 2009 ::
DIÁLOGOS LOUCOS DE UM (LOUCO) ASCENSORISTA SURDO - III
Tiiin
- (Um ruído inaudível saía da boca do ascensorista)
- É...
- (mais ruídos, cada vez mais incompreensíveis)
- Pois é...
- (mais ruídos, dessa vez seguidos de gargalhadas)
Silêncio constrangedor.
- O senhor está bem?
- (e um ruído inaudível saiu da boca do ascensorista)
nos embalos de: "rock feeling good" - Zé Ramalho
para quem... ouve Bob Dylan em baixo das cobertas, o que não é o meu caso.
:: Nathan Fernandes Quinta-feira, Janeiro 15, 2009 [+] ::
...
:: Quarta-feira, Janeiro 07, 2009 ::
RETRÔ 2008
Mais um ano em que o mundo não acabou - não por falta de tentativas do querido George W., claro. Logo, entre bombas e fumaças, cá estou eu para fazer mais uma retropectiva anual. Porque eu já sinto que é uma obrigação comigo mesmo, pra lembrar de como foi o ano, coisa & tal. Não que seja um post excencial, mas enfim...
Esse ano - finalmente - eu comecei a fazer jornalismo, essa profissão de esmagadores de galinha sem coração. Comecei também a trabalhar em um emprego real, longe dos meus pais. Não que eu não goste dos meus pais, mas receber como salário somente o amor deles é meio ruim. Ruim porque eu não posso pagar a faculdade com amor. Acredite, eu já tentei... mas eles são uns porcos escrotos frígidos. E o John Lennon dizendo que tudo que nós precisamos é amor, humpf!
Por isso, eu fui obrigado a entrar no fantástico mundo do trabalho. Um lugar incrível onde o Willie Wonka recebe todo mundo com óleo de amendoas Paixão. Aliás, arranjei um emprego e já saí dele... pra outro melhor com um salário maior. Felicidade que durou pouco já que a Escolinha do Homem Pássaro quis porque quis aumentar em quase 100 mangos a mensalidade. Com isso foi-se o resto do meu salário e minha alegria de viver. Quem mandou não passar na pública? Mas eu não reclaro dessa cambada maldita de filhos-da-puta do inferno.
Emprego, faculdade... nem preciso dizer que conheci uma porrada de gente. Uns que eu não faço questão de lembrar. Mas outros que são realmente incríveis e eu espero que me suportem por muitos outros anos. Além dos meus já velhos e carcomidos amigos de sempre que eu consegui manter atados ao meu pulso, como numa grande roda do Criança Esperança.
O ano terminou com a belíssima viagem para a praia, onde eu fiquei num camping maluco pela primeira vez. Porque, afinal, eu preciso descansar desse mundo sem rédeas em que vivemos. Assim, eu termino essa retrospectiva simples, leve e básica (que cabe na bolsa e dá pra levar para qualquer lugar). Sim, eu estou com um pouco de preguiça e, na verdade, eu quero escrever posts novos sobre outras coisas porque minha mão já está coçando.
nos embalos de: "charlote grapewine" - Cachorro Grande
para quem... estava ouvindo o cd deles e, depois de um susto, acabou de descibrir que tem um música escondida no final.
:: Nathan Fernandes Quarta-feira, Janeiro 07, 2009 [+] ::
...
:: Sexta-feira, Dezembro 26, 2008 ::
CINCO AÑOS DE SOLEDAD
As ruas continuavam desertas. Ninguém erguia bandeiras ou bradava hinos. Tudo estava um marasmo. Nem mesmo os ambulantes do centro estavam lá para correr do rapa, porque sequer o rapa estava lá. E nem parecia que algum dia já tinha circulado duzentas bilhões de pessoas ao mesmo tempo na Praça da Sé. Era um dia estranho em que as estátuas vivas do centro choravam desconsoladas por não ter para quem fazer graça. Os comedores de vidro, os mágicos e os pedintes também não formavam rodinhas em seus arredores.
Tudo isso num dia que merecia justamente o contrário. Um dia que merecia fogos de artifício e atrizes pornô dançando com uma camiseta branca molhada no alto de trios elétricos seguidos por milhares de pessoas nos seus encalços. Um dia de comemoração e amor livre. O dia mais comemorado do ano. Mas não. Não se trata do natal. Até porque amor livre e natal são palavras que, se colocadas na mesma frase, garantiriam-me um passaporte direto para o inferno.
Mas era sim o grande dia de aniversário de cinco anos deste blog. Dezenove de dezembro! Uma data que não tem como esquecer, mesmo porque é apenas sete dias depois do aniversário do Silvio Santos e dezessete depois do da Britney Spears. Não tem como esuqecer, minha gente. Em ordem de importância só perde mesmo para o grande dia vinte e sete de setembro.
Bem, há cinco anos eu era um menino e só escrevia merda. Hoje não. Hoje, eu cresci um pouco, mas continuo escrevendo merda. Isso pelo menos mostra como eu sou coerente em meus atos escatalógicos. É claro que sempre há um mudançazinha aqui, outra acolá, mas basicamente o blog é isso.
Ainda sonho com o dia em que o blog rumará para o sucesso e todos aqueles interesseiros que não me deram crédito irão se curvar aos meus pés pedindo abrigo e eu vou negar e cuspir na cara deles. E aspirantes a celebridades desejarão frequentar as festas patrocinadas pelo blog. E eu vou ser alçado ao mais alto patamar da honra mundial, ao lado de Elvis Presley, Beatles e Madonna e Zezé de Camrago & Luciano. Oremos...
ps. em breve a nova saga woodstocktock, que deixará de ser o grande sucesso no tempo do sushi pornô.
nos embalos de: "brand new start" - Little Joy
para quem... está debutando
:: Nathan Fernandes Sexta-feira, Dezembro 26, 2008 [+] ::
...
:: Quinta-feira, Dezembro 18, 2008 ::
EU TINHA UM BOM PORNÔ SHUI E NÃO SABIA
Porque essa é uma nova gíria da moçada que eu achei interessante. Não que eu já tenha visto pessoas usando. Não que minha chefe tenha dito "hei Nathan, vou te tirar do seu pornô shui porque eu sei o que você anda postando nesse blog de merda". Nada disso. Mas saiu na Superinteressante que essa é uma nova gíria, então é... pronto e acabou. Mas a primeira vez que eu a ouvi (ou melhor, li) foi naquele capítulo do livro da Diablo Cody (roteirista de Juno) que a piauí publicou há um tempo.
Significa um lugar bom no trabalho, tipo um computador virado pra parede, em que ninguém vê o que você está acessando. Como o nome sugere, pode ser o acesso de sem vergonhices. Mas não necessariamente. No meu caso poderia ser postar no blog shui, ou entrar no kibeloco shui. Porque eu não sou louco de entrar num site pornô com toda essa tecnologia das empresas. Até porque eu, este anjo de candura, seria demitido. Justa causa, claro.
Além do mais, aqui, n'A Firma eu não tenho um bom pornô shui. O meu não é o pior, mas não é bom. Bom mesmo era n'A Empresa de Detetives, onde eu acessava (quase) tudo. Ah, se a parede atrás de mim falasse, me esculhambaria certamente. Nem era uma parede mesmo, na verdade era uma porta fechada. Um dia, do nada, resolveram abrí-la e colocar um espelho nas minhas costas. E você vai acessar o que com um espelho nas costas? Devem ter desconfiado de mim... vai saber.
Aqui, definitivamente, não dá pra ver o que eu quero. Enquanto escrevo essas linha tortas, por exemplo, está rolando uma micareta da Iveta Sangalo aqui atrás. Vão se foder vocês! Mas eu escrevo.
ps. para ilustrar a matéria, a piauí usou essa imagem da Betty Page. Videntes que são, acabaram fazendo uma homenagem à pin up que morreu por esses dias.
nos embalos de: "police on my back" - The Clash
para quem.. já se safou da polícia
:: Nathan Fernandes Quinta-feira, Dezembro 18, 2008 [+] ::
...
:: Sexta-feira, Dezembro 05, 2008 ::
DIÁLOGOS LOUCOS DE UM ASCENSORISTA (QUASE) SURDO
Tiiin
- Com esse copo, você não entra.
- Rá!
- É sério, não pode entrar bebendo nada no elevador.
- É... porque eu posso deixar derramar o ácido sulfúrico que eu estou bebendo e corroer tudo, até sermos consumidos no inferno, né?
- Hã?
- Nada. Glup!
nos embalos de nada, por enquanto
:: Nathan Fernandes Sexta-feira, Dezembro 05, 2008 [+] ::
...
:: Domingo, Novembro 30, 2008 ::
NO ALVO DO DALVO - XII
Conversava meu avô Dalvo e minha avó com um outro senhor. Quando, então, este último pergunta ao meu avô:
- Mas ela é sua vó? - referindo à esposa do meu avô.
- Deixe de sê besta! Claro que não, ela é minha bisavó.
É... meu avô e sua aparência juvenil.
nos embalos de: "have love will travel" - The Sonics
para quem... está de ossos moídos
:: Nathan Fernandes Domingo, Novembro 30, 2008 [+] ::
...
DUAS NOITES DE NENHUM DIA
Escrever um post meio ébrio meio sóbrio foi um desafio que eu me propus ao chegar em casa esta manhã, às seis horas. Porque nada pode sair pior do que as coisas que eu escrevo quando estou totalmente sóbrio - se é que algum dia eu consegui alcançar este estágio. É um exercício interessante, pois.
Foram dois dias de baladas consecutivas. Porém, não se trata das baladas que eu costumo frequentar e sim de baladas que conseguem tirar de você o resto de dignidade que sobra. Sexta feira foi a festa da faculdade e sábado o aniverário de um amigo. As duas absurdamente caras. E as duas absurdamente open bar.
Certas pessoas dizem que "só vão pro céu se for open bar". Mas, como acrescentou um professor meu, essas pessoas não sabem o que dizem, pois festas assim são um verdadeiro inferno, com gente se acotovelando para pegar um copo de qualquer bebida que tenha mais de 50% de teor alcoólico. O certo seria "só ou pro céu se for de camarote". Este sim, muito mais organizado e higiênico também. Mas, de qualquer forma, eu não tenho do que reclamar.
A festa de sexta, a da Escolinha do Homem Pássaro, foi uma verdadeira putaria, exatamente como devem ser as festas universitárias. Até Mônica Mattos se constrangeria num ambiente daqueles. E inclusive eu, este anjo de candura, me envolvi num triângulo (quase um quadrade) amoroso por acaso. Sem comentários sobre acontecimentos recentes.
Sem descansar muito, sábado foi aniversário do amigo. Uma balada em Pinheiros que só tinha gente bonita e elegante (ironia à flor da pele). Pelo menos, a companhia foi boa, isso eu não posso negar. Amigos que eu não via há dez anos, quem sabe vinte, se isso fosse possível.
A música tanto em uma festa quanto em outra merece um parágrafo à parte. Tirando o show do Jorge Ben Jor (do qual eu nem sou muito fã), todas elas eram uma veradeira merda. Bem que podiam pegá-las, amarrar num saco e jogar pela privada. Só canções da mais pura poesia e que tocavam o coração como eu já tô de sainha/ agora, eu tô solteira e ninguém vai me segurar. Aprendi todas e agora elas ficam martelando na minha cabeça, como se eu tivesse feito algo muito ruim pra Deus. Como disse, só mesmo o Jorge pra salvar. Salve São Jorge!
Bem, acho que já estou bem por hoje. Meus olhos estão semi-cerrados e eu ainda estou tentando encontrar uma razão para ainda não ter ido para a cama. Minha cabeça está caindo no teclado. sgbdiwdbjçajksndçjh. Por isso, vou dormir e sonhar com sabe-se lá deus o quê.
nos embalos de: "os alquimistas estão chegando os alquimistas" - Jorge Ben Jor
para quem... entende de alquimia, como eu
:: Nathan Fernandes Domingo, Novembro 30, 2008 [+] ::
...
:: Terça-feira, Outubro 28, 2008 ::
DIÁLOGOS LOUCOS DE UM ASCENSORISTA SURDO
Tiiin
- 8º por favor!
- Hã?
- 8º!
[...]
- Moço, eu disse 8º, não 18º!
- Esse elevador não tem o número 8, pega o próximo.
nos embalos de: "taxman" - Beatles
para quem... já foi perseguido por um beatle
:: Nathan Fernandes Terça-feira, Outubro 28, 2008 [+] ::
...
:: Segunda-feira, Setembro 29, 2008 ::
NELSON, VIRE A PÁGINA
Poucas coisas no mundo são tão antiquadas quanto uma livraria. Acho que até um antiquário é menos antiquado que uma livraria. Quer coisa mais old school que, em plena era da tecnologia e do fluxo constante de informação, existam lugares que expõem livros em prateleiras, quando voce pode achar tudo na internet? Realmente soa estranho, mas eu gosto!
Agora, como trabalho na Paulista, passo meus horários de almoço na livraria Cultura. Aquele é um lugar fantástico, antiquado, mas fantástico. Lá, voce pode ler um livro inteiro, se quiser, e ninguém vai falar nada. Eles até colocam uns pufs a sua disposição . Se isso não é um convite de "durma aqui, por favor", então eu não sei mais. Só falta uma massagista à disposição. Pior que é esse é o lema deles mesmo. Acho que nunca falei nada aqui, mas eu participei de um processo seletivo lá e eles disseram isso mesmo: "se o cliente quiser dormir ou ler um livro inteiro, voces não podem fazer nada". Acho que só vão reclamar se fizer sexo explícito, ou coisa do tipo. Mas é Fantástico não? E tem um monte de gente que fica com "vergonhinha" de ir ler lá.
Estou lendo Nelson lá O Óbvio Ululante (adoro esse título). Todos os dias me jogo no puf roxo e fico e fico... Porque eu sou um mão de vaca mesmo (sim, esqueci de falar, mas se voce se sujeita a ler os livros lá de graça, voce pode ficar conhecido assim e não pode reclamar, porque é verdade). Antes d'eu comprar um livro com meu próprio dinheiro, eu analiso muito bem todas possibilidades e vejo se vale realmente a pena. Na verdade, eu faço isso com tudo. Mas com livros, especialmente.
Mas voltando ao assunto, livrarias são realmente a coisa mais antiquada do mundo. Imagine, caro leitor desocupado, que eu estava lá, lendo o Nelson, quando me aparece uma velhinha, dessas modernas de cabelo roxo, e me cai de bunda no chão, ao tentar sentar na cadeirinha. O que eu fiz? Ajudei, claro. Pois está aí, quer coisa mais antiquada que ajudar velhinhas em apuros?
sem embalos hoje
:: Nathan Fernandes Segunda-feira, Setembro 29, 2008 [+] ::
...
:: Terça-feira, Setembro 23, 2008 ::
ESTAGIÁRIO DE PLUTÃO - PARTE NOVE
PORQUE TODA HISTÓRIA TEM SEU FIM
Uma lágrima solitária caiu de seus olhos marejados de amor. Mas em um átimo de segundo, as lágrimas já eram tantas que nem dava para perceber seu leve estrabismo. Ela me olhou com a tristeza dos deuses feridos. Então, segurou-me fortemente pelos braços e disse:
- Você vai mesmo?
- É preciso - eu respondi.
Então virei as costas e deixei seu corpo esquálido caído ao chão feito bosta. Nunca pensei que minha chefe reagiria assim na segunda feira em que anunciei que tinha recebido uma proposta de emprego melhor.
O emprego traz uma série de benefícios a mais que não dizem respeito a vocês, mas que me alegram muito. Da data do anúncio até minha partido tive mais quatro dias. Sexta feira, portanto, foi meu último dia de alegria no ambiente que me acolheu por seis mese e três semanas exatamente.
Se minha chefe reagiu mal, meus iguais fizeram festa. Dançamos sobre as mesas da chefia, soltando pombas brancas, como sugeriu um amigo, e com vários hare krishnas pulando ao redor e alegrando o lugar com suas cores vibrantes. Sou o primeiro a conseguir fugir de lá com a cabeça intacta em cima do pescoço. Os outros como eu disse, foram degolados e esão no refrigerador da copa. Mas eu consegui. Tornei-me um herói. E como tal, prometi voltar para livrá-los de lá.
Brincadeiras a parte, eu confesso que senti medo de sair de lá. Começar tudo de novo em um outro lugar não é fácil. E eu que já tinha me acostumado tanto com eles...
Mas como toda história tem seu fim, com essa não poderia ser diferente. Continuarei vendo as pessoas que me interessam lá, claro, ou pelo menos, assim espero.
Eis que a semana passou, a sexta chegou e eu tive que abandoná-los. Não sem antes cantar um trecho de "don't cry for me, Argentina!"
estejam ligados para mais aventuras...
nos embalos de: "here comes the city" - The Go Betweens
para quem... teve de partir
:: Nathan Fernandes Terça-feira, Setembro 23, 2008 [+] ::
...
:: Quarta-feira, Setembro 03, 2008 ::
ESTAGIÁRIO DE PLUTÃO - PARTE OITO
Tem bem um pouco mais de seis meses que eu marco minha bunda nessa cadeira do escritório. Quem diriam, hein! E a chefia cada vez pega mais no pé. Apesar de má, a chefia é tão doce e meiga que você fica com vontade de abraçá-la e chamá-la de ursinho carinhoso. A gente reclama porque ela muito metódica. Mas o pior é que ela se parece comigo. Certa vez, fazendo um trabalho da Escolinha do Homem Pássaro, uma amiga me xingou e eu descobri que eu estava agindo igualzinho a chefia. Será que ela sou eu no futuro? Espero que não...
Minha amiga soltou um boato de que eles fazem experiência com humanos aqui. Não sei se é verdade. Mas, de qualquer forma, outro dia pediram pra esvaziar a geladeira da cozinha porque iam arrumar umas coisas e acabaram encontrando duas cabeças humanas congeladas. O pessoal suspeita de que essas cabeças pertenciam aos dois últimos demitidos daqui. Porque a demissão aconteceu do nada. De repente vem um e-mail "Michael Jackson não faz mais parte da equipe" - não que o Michael trabalhasse aqui, foi só um exemplo. O fato é que, depois disso, ninguém nunca mais ouviu falar nos dois. Até o dia em que esvaziaram a geladeira.
Sensacionalismo à parte, as tardes aqui têm sido agradáveis. A gente troca e-mails engraçados como em toda Empresa de Detetives que se preze. Acabou que disso, saiu um blog com colaboradores "anônimos". Um blog de fofoca é claro. Fofocas quentinahs! Mas as fofocas que ali estão não são nada normais. Visite nossa cozinha clicando aqui
nos embalos de: "justice for all" - Forgotten Boys
para quem ainda está vivo
:: Nathan Fernandes Quarta-feira, Setembro 03, 2008 [+] ::
...
|